Período de Acolhimento

A hora de ir para a escola chegou! Roupa limpa no corpinho, tênis amarrados, lanche feito. Mãos dadas e sorriso no rosto:

- A gente vai para a escola, mamãe?

Ansiedades e expectativas na mochila. No sorriso do seu filho ou da sua filha. No seu coração. Nos braços que insistem em levar sua criança no colo e em protegê-la. Nos olhares que são trocados e que escaneiam cada cantinho do novo espaço. Nas pequenas mãos curiosas que seu filho te dá, acompanhadas do olhar mais terno que você poderia receber. Receber e congelar. Congelar o tempo, que vem percorrendo vocês dois e sinalizando cada conquista do seu pequeno ou da sua pequena: a hora de ir para a escola chegou! Seu filho faz agora, de fato, parte do mundo!

Porque a escola é exatamente isso: uma parte do mundo que começará a ser conhecida e explorada pelo seu filho ou pela sua filha. Um lugar onde há pluralidade, onde há diversidade, onde há pessoas que acompanharão o desenvolvimento do seu filho e que farão parte da vida dele. Um local onde você, definitivamente, percebe que sua criança viverá conquistas e relações humanas importantes das quais você não estará presente. O local da separação. E para que essa separação aconteça de maneira gradativa e segura, é preciso que a escola e as famílias se organizem e se preparem para viver esse ritual tão importante, que costumo chamar de período de acolhimento. Durante esse período, é necessário que você:

- Conte ao seu filho ou filha que irão para a escola! Converse sobre o que tem lá e o que eles farão naquele espaço. A conversa não precisa acontecer todos os dias, mas pode aparecer espontaneamente durante uma refeição ou até mesmo durante a preparação da mochila ou dos materiais;

- Convide seu filho ou filha para arrumar a mochila! Se ele faz uso de uma naninha, paninho ou bichinho de pelúcia, não se esqueça de colocar! Esses objetos são importantes durante essa fase de transição do ambiente familiar para o ambiente escolar e as crianças têm a chance de se sentirem mais seguras levando um pedacinho da casa com elas. Esses objetos são capazes de diminuir a ansiedade em função da separação;

- Compreenda que seu filho ou filha poderão apresentar algumas alterações de comportamento quando começarem a frequentar a escola. Algumas crianças, por exemplo, se recusam a se alimentar no novo espaço, o que é perfeitamente compreensível: durante um tempo, se o seu filho ou filha se recusarem a comer, acolha e converse com a professora a respeito disso. Aos poucos, conforme a criança se sente mais segura e o vínculo com a educadora começa a ser formado, a recusa tende a diminuir e aquela criança que não aceitava tomar um suco, por exemplo, passa a tomar um pequeno gole. E no dia seguinte, um pouco mais também.

- Lembre-se de que o choro é uma maneira do seu filho ou filha se expressarem e não há como prever por quanto tempo eles continuarão chorando. As crianças encontram inúmeras maneiras de expressar o que estão sentindo e o choro é uma delas apenas. O tempo que cada criança precisa para se sentir acolhida e segura é único. Não use o choro como o único sinal que seu filho ou filha emitem. Se o choro continua, mas existe a entrega à professora, então eles estão se sentindo acolhidos!

- Diga sempre a verdade: avise seu filho ou filha sobre o que irá fazer, especialmente sobre a sua saída da sala, ainda que seja para tomar água ou ir ao banheiro. Se você “sai de fininho” e ele ou ela te procuram durante a saída e não te encontram, a relação de confiança entre vocês fica comprometida! E quando chegar a hora de dizer tchau, despeça-se, dê um beijo e siga em direção à saída da sala ou escola, mesmo que seu filho chore. A despedida não é a garantia de que ele não irá chorar. Evite voltar caso isso aconteça, porque o “ir e vir” prolonga a dor que existe durante o momento da separação. Respire fundo, diga ao seu filho que ele irá conseguir e confie! Repita as despedidas todos os dias até ele entender que você diz tchau, mas também volta para buscá-lo;

- Confie na escola e em seus profissionais: quando você confia na escolha que fez e também nos educadores que ficarão com seus filhos, as próprias crianças se sentirão mais seguras e confiantes. Elas sentem e percebem a seguinte mensagem a partir disso: “se a mamãe ou o papai confiam nessas pessoas, eu também posso confiar!

- Tire suas dúvidas com os educadores e converse sempre com eles! Fale sobre as angústias, sobre o que se pode ou não fazer naquele espaço. Observe seu filho ou sua filha dentro do ambiente escolar e confie na relação que vocês estão construindo juntos. Quando você tem certeza da escolha e sente-se seguro e confiante com sua decisão, seu filho aceitará a aproximação de novas pessoas e se sentirá acolhido gradativamente! Não se esqueça que professor e família são parceiros e caminham juntos pela educação do seu filho ou filha.

E, por fim, respire fundo e esteja certo de que, no fim do dia, quando você voltar para buscá-lo, você irá receber os melhores sorrisos e abraços do mundo! A escolha só irá fortalecer ainda mais a relação de vocês!

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