Autonomia
- Janaina Leal
- há 6 dias
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Atualizado: há 3 dias
Muitos jovens chegam ao final do ensino médio sem conhecer suas habilidades, seus gostos, não têm iniciativa, não conseguem resolver problemas ou pensar em soluções.
Vocês que são pais de crianças pequenas, talvez ainda achem que este é um problema para se preocupar somente mais tarde e devem estar se perguntando o que isso tem a ver com a autonomia.
Famílias desejam filhos autônomos, mas não agora, pois estão sem tempo para acompanhar esta construção ou essa desorganização, só mais tarde quando forem maiores.
Muito se confunde que apoiar a autonomia é deixar a criança fazer o que quer, do jeito que quer. Isso não é autonomia, é negligência. A construção da autonomia exige presença adulta, apoio, orientação, modelo e mediação. As emoções também fazem parte desse processo: frustrações, conquistas, tentativas e erros.
O desenvolvimento da autonomia é um processo de construção da independência, da autorresponsabilidade e da confiança. E ele começa muito cedo. Desde muito pequenas, as crianças já apresentam ações autônomas que vão se ampliando pouco a pouco. Conforme as crianças vão ganhando novas habilidades, vão criando novas responsabilidades.
Na autonomia se constrói um sentimento de competência, sentimento de quem pode ajudar, oferecer apoio e de quem tem um papel essencial na família. Quando as crianças crescem alheias a toda organização de manutenção da própria vida elas tornam-se passivas. E isso tem relação com a situação lá do início do texto: jovens sem desejo pela vida, pois esperam tudo de fora.
Acompanho muitas famílias, que de maneira inconsciente temem que se a criança realizar algo sozinha não precisa mais dos pais, eles perdem seu papel e não desejam isso. Pais não querem ser dispensáveis.
Mas a autonomia não afasta, ela fortalece vínculos. Uma criança que se sente capaz também se sente segura para estar com o outro. Brincar sozinho, por exemplo, não é sinal de abandono, mas de construção interna, de imaginação e de confiança.
Muito se sabe sobre a importância de desenvolver a autonomia, há uma grande preocupação em estimular, mas poucas oportunidades reais para que a criança aja por si.
A autonomia é uma base importante do desenvolvimento humano. Quando a criança participa da vida cotidiana, quando pode tentar, errar, escolher e fazer, ela não apenas aprende tarefas, ela constrói sua relação com o mundo e consigo mesma.
Depois de um dia de trabalho, a família chega em casa com muitas tarefas a fazer e se ocupa disso, a criança se sente alheia aquela demanda, ela precisa se sentir participante desse contexto, sempre há uma ação que ela possa realizar.
Ao final do dia, mais do que dar conta das tarefas, a criança precisa se sentir parte. Participar, contribuir e agir são formas de construir pertencimento.










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