A brincadeira mora em nós
Você está andando pela rua e percebe as juntas do piso, nota linhas na calçada. De repente, começa a se desafiar a não pisar nelas enquanto caminha.
Vai sair de casa e coloca o destino no GPS. O aplicativo mostra o tempo estimado de chegada, e então surge um pequeno desafio interno: chegar antes do horário previsto ou encontrar um caminho melhor do que o que foi sugerido.
Vai ao cinema assistir a um filme e pensa na roupa que vai vestir, buscando alguma conexão visual com outras pessoas que compartilham do mesmo interesse. A escolha da roupa para ir ao cinema foi planejada.
Está chovendo e as gotas escorrem pelo vidro do carro. Você acompanha, com o olhar, a corrida entre elas para descobrir qual cairá primeiro. Ou se desafia a ver quanto tempo consegue esperar antes de ligar o limpador de para-brisa.
Tudo isso é brincadeira.
Nosso prazer pelo lúdico continua existindo na vida adulta, apenas ganha outras formas. O brincar não desaparece com o tempo. Seguimos brincando porque o estado lúdico faz parte da experiência humana.
Talvez seja por isso que tantos ambientes de trabalho tenham incorporado espaços de descanso com jogos, piscina de bolinhas, pebolim e escorregadores para os adultos que ali trabalham. Descobriu-se que brincar favorece criatividade, imaginação, resolução de problemas e bem-estar.
Por aqui, vocês já sabem que valorizamos muito a brincadeira e garantimos tempo e espaço para que ela aconteça. Mas talvez nem todos saibam que existe uma mobilização mundial dedicada a esse tema.
Em maio acontece a Semana Mundial do Brincar, um movimento que propõe reflexões e ações voltadas à valorização da brincadeira como parte essencial do desenvolvimento humano.
Poderíamos apenas dizer que brincar é importante porque sim. Mas, em uma sociedade que busca utilidade para tudo, vale lembrar que educadores, psicólogos, pesquisadores e pediatras reconhecem a brincadeira como fundamental para o desenvolvimento emocional, social, cognitivo e criativo das crianças.
Todas as crianças, até as mais grandinhas, precisam brincar.
E quando o adulto se interessa pela brincadeira, participa dela ou simplesmente reconhece sua importância, comunica à criança algo muito importante: “eu valorizo aquilo que é importante para você”.
Muitas vezes, nós adultos, falamos das brincadeiras da infância com nostalgia. “No meu tempo era melhor”, costumamos dizer. Mas a brincadeira de cada época é atravessada pela cultura, pelo contexto social, pelas mídias e pelas transformações do mundo.
As brincadeiras mudam. A necessidade de brincar, não.
Ao colocarmos a brincadeira no centro da conversa, fortalecemos nossa comunidade e reafirmamos uma responsabilidade coletiva: garantir às crianças tempo, espaço e direito de viver plenamente suas infâncias.
Para saber mais sobre a Semana Do Brincar:
Semana Mundial do Brincar 2026: A Potência dos Encontros




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